A bela mas arriscada incoerência dos Anônimos e a perigosa coerência soreliana dos Black Blocs

Sumário

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Por que o João Borba andou meio quieto durante as últimas passeatas e protestos?

Alguém pode ter notado que tive uma intensa atividade como blogueiro durante aqueles protestos e passeatas que se iniciaram com a questão do passe livre (a exigência de gratuidade nos transportes públicos), apoiando a mobilização popular, criticando suas limitações e interpretando o seu sentido… e pode ter notado também que, no entanto, por outro lado quase que silenciei durante os últimos protestos e passeatas.

Esses últimos foram mobilizados em relação à corrupção, um tema que me atiça já desde muito tempo atrás e que, supostamente, deveria ter me estimulado muito mais. Deve-se notar que foram mobilizados também, numa visão a meu ver mais rasa, superficial estreita e curta (mas nem por isso menos certeira, ou pelo menos mais objetiva), focalizando especificamente governo de Dilma Roussef e do PT.

A propósito, antes que queiram comparar meu silêncio ao que já se chamou em outra época de “silêncio dos intelectuais” em outros tempos em que se viram descalábrios cometidos pelo PT, saibam com toda clareza: não nutro simpatia por partido absolutamente nenhum.

Sobre o PAI, “partido” que os Anônimos (ao menos supostamente eles) fundaram

A princípio não nutro simpatia nem mesmo pelo “PAI”, que se diz um partido dos “anônimos” ou partido “anarquista” internacional (apesar de minhas simpatias gerais pelo movimento internacional dos Anons): a questão, aqui, é dupla.

Primeiro, considero a noção de partido em si mesma perniciosa, e tanto mais perniciosa na medida em que sugere a estratégia da tomada do poder político, governamental.

Segundo: a força e a fraqueza do movimento dos Anons (ou Anônimos) estão ambas precisamente no anonimato e na formação não-institucional e sem cisão entre membros e não-membros que esse anonimato propicia. A institucionalização de um grupo abrindo espaço para pressões do tipo “decida se faz parte ou não” é tão perniciosa quanto a presença de uma massa de gente indefinida entre fazer parte ou não.

Esse problema da caracterização de quem “faz parte” e quem “não faz parte” de um movimento é uma coisa extremamente delicada quando se trata de uma postura que e pretende anarquista. Porque a cisão promove a exclusão, a marginalização de simpatizantes, e o patrulhamento ideológico, coisas que se encaixam bem numa linhagem que se mostrou historicamente propensa ao autoritarismo, como o marxismo, mas que é corrosiva, destruidora da própria medula, dos princípios e valores básicos do movimento, quando se trata de algo que se pretende anarquista.

Entretanto, como ter certeza de que estamos nos alinhando efetivamente junto aos aliados daquilo que defendemos se esse alinhamento se coloca como… anônimo? Se não sabemos, em suma, quem é que está ali, a quem nos estamos alinhando, e quais os posicionamentos pelos quais o movimento responde? Como saber se não há, por exemplo, a calhordice de um partido político disfarçado e procurando utilizar o movimento, graças ao seu anonimato, como disfarce para esconder-se e buscar a derrubada de adversários políticos para então, apenas assumir o poder no lugar do partido anterior, ao invés de realmente combater todo o sistema vigente?

Por isso mesmo faz todo o sentido, aqui, incluir esta menção ao tal PAI, “o partido” internacional “dos anônimos”, para o qual fui a certa altura convidado a entrar quando me manifestei favorável a um movimento internacionalista como meio de escapar a possíveis calhordices como a que descrevi no parágrafo acima.

A questão é que o simples fato de um grupo declarar-se internacionalista não significa que seja de fato formado por internacionalistas desapegados da busca de objetivos políticos-partidários locais. Como se assegurar de uma coisa dessas, se não sabemos quem são os envolvidos? E por outro lado, se mostram quem são, boa parte de sua força se esvazia. É uma sinuca de bico, reconheço.

Mas eu é que não entro em sinuca de bico. Prefiro permanecer independente e simpatizante crítico, a uma certa distância. Se me envolvi, me envolvo ou vier a me envolver, quando julgar que a causa específica em questão no momento é boa, nunca se saberá, porque sendo o caso (o que não confirmo nem nego), me envolvi, me envolvo ou me envolverei… anonimamente.

Ademais, considero a adoção desse jogo de palavras, com a palavra “PAI”, a pior escolha possível e imaginável para um grupo que se diz ou se sugere anarquista, porque a palavra sugere o apego a uma figura hierarquicamente considerada “superior” na maioria das famílias do mundo, e ainda por cima com afeição por essa autoridade familiar. É claro que poderíamos compreender esse nome como uma ironia… mas será que todos o compreenderiam assim?

Por que “PAI” talvez não seja exatamente um bom nome
para um movimento de perfil anarquista

Vejam bem.

Historicamente, em todo o mundo, a noção de “pai” sempre representou a de uma “autoridade”. É verdade que isso pode ter mudado em muitas famílias a partir do movimento estudantil de 68, com gerações de pais mais joviais, que passaram a ser amigos dos filhos, e que vão se tornando menos “autoridades” e mais amigos à medida que os filhos amadurecem. Pessoalmente, adoooooro muis pais, acho eles o máximo. Só que isso não vem ao caso. Trata-se de levar em consideração o símbolo e seu peso histórico em todo o mundo, não apenas em sociedades fortemente influenciadas pelo impacto do movimento de 68.

Acho que, nesse caso do tal partido “PAI” dos anônimos, faltou um pouco de aprendizado quanto a experiências como a política na cultura tupi-guarani, por exemplo. Enquanto a imensa maioria das tribos indígenas no mundo inteiro supervaloriza a figura do “pai” como representação da autoridade, adotando inclusive lideranças de perfil patriarcal (essa noção que se celebrizou a partir da teoria dos tipos de dominação de Max Weber), os tupis-guaranis valorizavam as figuras do irmão e do cunhado, isto é, dos “iguais”, palavra pela qual, aliás, se referiam a si mesmos quando se apresentavam a alguém de uma outra cultura.

“Quem é você?” — perguntavam os indígenas daquí a um português, no período colonial. E se entendesse tupi-guarani, o português respondia algo como “Sou Piero de Alcântara” por exemplo. Como havia muitos e muitos e muitos “Piero” portugueses vindo ao brasil, sendo um nome muitíssimo comum naquele país na época, os indígenas entenderam que aquele povo magro, esfomeado, interesseiro, barbado, sujo e sem mulheres, chegado em imensas embracações cheias de ratos, era o povo dos “Peró”.

Mas o interessante mesmo era como respondiam a esses “Peró”, como se identificavam para eles: “Ah, vocês são peró… e nós, nós somos os iguais” diziam os tupi-guarani, se apresentando. Os iguais. O povo dos irmãos e cunhados, não dos “pais” e seus subordinados.

Com base nisso, peço aos meus amigos (ou “manos”) dos anônimos que julgam que seria convidativo para mim e para outros como eu uma sigla como “PAI”, que imaginem qual o efeito tem, em meu pensamento, a ideia de um “partido” que quer ser meu “pai”! — só posso responder que sinto muito, mas já tenho pai, e o que mais gosto no meu, é que já se tornou bem mais amigo do que pai…

Mas meu assunto aqui não são os Anons: são um outro grupo pelo qual sinto beeeeem menos simpatia, mas que estou tentando compreender melhor: os Black Blocs. Eles são a razão de meu quase silêncio até aqui. O que ocorreu foi que desde aquela época estou tentando entendê-los, e isso me arrastou a um mergulho profundo e demorado em diversos estudos.

Sobre minha primeira tentativa de mapear
as novas “esquerdas” não-partidárias mundiais

Na verdade cheguei a escrever um artigo neste meu Blog Quemdisse tentando mapear alguns novos posicionamentos da esquerda não-partidária mundial e brasileira — incluindo os Anônimos, que a meu ver apenas não se entenderam muito bem com si mesmos na adoção dessa noção de “partido”, uma escolha infeliz que não os exprime devidamente… (aliás, para ser honesto, sinto quase como se nós não estivéssemos nos entendendo muito bem com nós mesmos quanto a isto… mas apenas quase, porque prefiro sempre ver-me como independente, como um sem-time).

O artigo em que tentei começar esse mapeamento chama-se Um breve espoço de mapeamento da novas “esquerdas” não-partidárias mundiais. Estava levando o artigo adiante, e parei nos Black Blocs… precisamente porque não conseguia entendê-los. Sou um obsecado no que diz respeito a entender as coisas até o fundo, quando me disponho a estudá-las.

Estou estudando a fundo o assunto até agora, e isso é trabalhoso, toma muito de meu tempo e minha atenção quando não estou me dedicando a questões ligadas mais diretamente ao meu trabalho “oficial” como professor junto a meus alunos.

Repito: interrompi meu mapeamento das novas “esquerdas” não-partidárias mundiais no meio do caminho quando cheguei no momento de falar do Black Blocs (…na verdade, logo depois de fazer meus primeiros comentários, analisando por alto a estética da ação deles), e isto inclusive foi o que me levou a colocar “esquerdas” entre aspas no título daquele artigo.

Por que era difícil para mim situar os Black Blocs brasileiros
em meu mapeamento das novas “esquerdas” não-partidárias

Era difícil para mim entender esses caras, que se dizem ou se sugerem “de esquerda”, principalmente porque não me pareciam (e continuam não me parecendo) exatamente “de esquerda” ou opositores das classes dominantes, como pretendem.

Difícil, porque tenho a tendência a considerar que todo posicionamento que se firma e se desenvolve tem como parte desse seu desenvolvimento, desenvolver também seu fundo de coerência, uma sua lógica própria, que se pode tentar decifrar. Mas esses caras, eu não conseguia entender, a não ser considerando-os incoerentes ou politicamente tolos na defesa do que pretendem defender, ingênuos e inclusive contra-eficazes.

O problema é que essa “tolice política” que via neles por outro lado também me parecia bem pouco provável.

Trata-se de um movimento internacional bastante sólido, inclusive refinado em sua utilização de gestos de violência, e que tem aqui seus reflexos. Mas esses reflexos aqui no Brasil são reflexos bem pouco refletidos. Bem pouco pensados ou refinados, manifestando uma revolta em tons primitivos, bastante “chucra”, digamos assim.

Na verdade a vertente brasileira do movimento me parece incivilizada a ponto de não servir nem mesmo como contraponto crítico à civilidade burguesa (contraponto feito propositalmente, mas com muito refinamento e inteligências pelos Black Blocs estrangeiros, uma crueza e brutalidade cuidadosa e estrategicamente colocadas para provocar efeitos muito específicos no público). A ação dos Black Blocs tem uma estética própria no âmbito mundial, que no Brasil quase perde o seu caráter de estética, porque quase perde o seu (forte no resto do mundo) caráter simbólico.

O problema maior é que o mero caráter “chucro” e impensado da coisa aqui, assinalada mais por um cruento extravazamento de frustrações do que por uma simbologia que propõe (impõe) algo às consciências do público, não explica nada quanto à incoerência com que a manifestação desses caras ocorria.

A “coerência” de que estou falando, que sempre pode ser detectada por detrás de um posicionamento desenvolvido, mesmo por detrás de incoerências de superfície, surge sempre muito rápido, logo no início desse desenvolvimento, logo que o posicionamento toma uma forma esteticamente reconhecível como “a mesma”, ainda que não pretenda estar adotando uma “estética” em sua ação (a estética da coisa está lá, quer o grupo queira quer não).

Os Anônimos, por exemplo, se mobilizam segundo uma estética de ação claramente anarquista, mesmo que haja entre eles também certos grupos que pretendem ser coisa inteiramente difetente. No caso dos Black Blocs, neste sentido, o que ocorre é quase o contrário.

Tal “coerência” de fundo por detrás da estética de ação de um grupo é coisa que não depende de nenhum “amadurecimento” especial do grupo em questão: depende apenas dessa tomada de forma específica e reconhecível em seu modo de ação.

Portanto, não é nem mesmo uma questão de consciência, reflexão ou inteligência por parte dos que seguem tal posicionamento. Ela é uma coerência inconsciente, e essas coisas, reflexão coletiva, refinamento, inteligência, que normalmente chegam depois, apenas afloram com mais clareza essa coerência, que já existe ali. É uma questão de personalidade coletiva e de estilo próprio de ação, mais do que de qualquer outra coisa.

O que dificultava meu entendimento, era que não estava conseguindo captar essa coerência, apesar de sua existência ser evidente — visto que os Black Blocs no Brasil têm sim (como no resto do mundo) uma evidente “cara própria” nitidamente reconhecível, uma forma de ação que lhes é característica, uma já formada estética própria na ação.

Afinal, os Black Blocs do Brasil
são de fato uma força de oposição ao stablishment ou apenas
um reforço tão conservador quanto as “direitas” políticas?

O que me ofereceu uma pista nesse sentido, para compreender melhor os Black Blocs brasileiros, foi um comentário vago e inseguro, mas a meu ver de uma intuição muito certeira, da filósofa Marilena Chauí (em relação à qual mais de uma vez já manifestei publicamente minha antipatia pessoal, e no entanto, a infelicidade de acabar inúmeras vezes concordando com ela…).

(Simpatias ou antipatias pessoais, que são aliás coisa raríssima em mim, pois sou mais de avaliar ações e comportamentos do que as pessoas por detrás dos mesmos… simpatias ou antipatias pessoais, enfim, não me impedem uma certa admiração pelo trabalho intelectual de alguém, em certos momentos.

Aliás, avaliando meu próprio comportamento neste caso específico, acho que devo deixar de manifestar essa antipatia futuramente: porque é deselegante, para não dizer grosseiro de minha parte… e a bem da verdade, é coisa que absolutamente não vem ao caso, e se o coloco aqui, é por uma obsessão por sinceridade que talvez eu deva repensar em mim mesmo. Como diria Aristóteles, uma virtude posta em prática sem senso de justiça naquele momento e circunstância específicos, isto é, sem considerarmos seu correto ajuste, sua correta dosagem, no contexto e na circunstância específicos em que é colocada, torna-se um vício (e neste preciso sentido, a sinceridade se transforma facilmente em grosseria — mea culpa, preciso me corrigir).

Enfim: Marilena Chaui em certo momento (infelizmente não me recordo onde, mas foi um comentário na internet), comentou que suspeitava que os Black Blocs tinham um perfil talvez mais fascista do que anarquista. Concordei quase que de imediato, e manifestei isso naquele artigo inacabado em que tentava mapear as novas “esquerdas”. Foi, como já disse, o que me levou a colocar “esquerdas” entre aspas.

Mas a combinação de fascismo com traços de anarquismo era algo que me incomodava muitíssimo (já fui militante anarquista tempos atrás, depois me afastei disso, e de tempos para cá, tenho sentido tendência em mim a uma reaproximação, embora com senso crítico e posicionamento próprio). E acontece que os traços anarquistas na ação dos Black Blocs, sua filiação à noção de ação direta, por exemplo (noção que aliás não se prende necessariamente à violência, embora historicamente tenha crescido associada a isto), são traços bastante claros também.

Daí provavelmente a confusão, ou pelo menos o caráter vago, da avaliação da Marilena Chauí (e da minha própria também, embora ej tenha arriscado uma afirmação um pouco mais contundente categorizando os Black Blocs mais como fascistóides do que como anarquistas).

Pensar nos Black Blocs como uma espécie de fascismo que se enxerga a si mesmo como “anarquista” — coisa profundamente incômoda para quem em algum momento na vida militou pra valer no anarquismo, e que a bem da verdade coloca um problema que anarquistas deveriam refletir com cuidado e atenção, porque abre um precedente perigoso — faz lembrar que o precedente não é dos Black Blocs brasileiros: faz lembrar da figura de Sergei Netchaiev na época de Bakunin

Netchaiev e o Catecismo revolucionário,
falsamente atribuído a Bakunin

Netchaiev, o jovem autor do Catecismo do revolucionário! — texto muito mais fascista do que anarquista, que foi no entanto difundido entre a militância anarquista menos amadurecida na compreensão desse posicionamento, no século XIX, causando um verdadeiro estrago na história desse movimento político.

Poucas vezes na história política da humanidade um pensador tão profundamente mergulhado em um posicionamento, e tão influente junto à militância, como Bakunin no anarquismo e junto à jovem militância anarquista, cometeu um erro tão dramático e tão profundo e tão perigoso quanto o que Bakunin cometeu, ao demorar demais para desautorizar publicamente seu jovem amigo estusiasmado com a violência, Netchaiev (que dava a entender a todos, em toda parte, que seu texto tinha sido assinado por Bakunin).

O Catecismo revolucionário, texto mergulhado na ideologia e nos valores do fascismo, e afetado de falsa (ou mais precisamente superficial e mal compreendida) propensão anarquista, causou um estrago inigualável na história do movimento anarquista, e recebeu infelizmente o aval do próprio Bakunin durante um certo tempo, apesar de todos os seus companheiros mais próximos no anarquismo, cientes de sua enorme e simpática influência sobre a militância menos madura, insistirem que deautorizasse publicamente, o mais rapidamente possível, esse texto e os posicionamentos de Netchaiev.

Bakunin demorou. Quis proteger o jovem amigo, provavelmente pensou conversar inistente e repetidamente com ele antes de qualquer atitude que o excluísse ou marginalizasse no movimento… mas como conseguir trazer à razão pelo diálogo a um jovem amigo que, com sincero entusiasmo, tende cada vez mais a uma espécie de fanatismo agressivo? O sempre simpático Bakunin foi humano e amigo, e infelizmente, naquela circunstância, talvez não devesse sê-lo.

As ideias fascistas de Netchaiev evoluiram entre os militantes mais recentes e menos amadurecidos no anarquismo do século XIX como se fossem as do próprio Bakunin, Netchaiev fazia questão de apoiar-se na boa fama e influência do amigo, e o amigo famoso, embaraçado, silenciava, mas não o desautorizava.

Afinal, quem era ele para “autorizar” ou “desautorizar” alguma coisa na militância anarquista? Era alguma autoridade? Não queria sê-lo, de modo nenhum (era efetivamente anarquista), mas o fato é que tinha enorme influência sobre a militância menos madura e ainda pouco aprodundada no anarquismo e no pensar com sua própria cabeça que é característico desse movimento.

Aos olhos dessa gente de militância recente que ainda não compreendia bem a coisa, e que na época era muita gente, gente jovem e entusiasmada, Bakunin era, digamos assim, uma espécie de “lider” do movimento anarquista. Achavam que isso fazia sentido, ser anarquista e ter um “lider” a seguir! Bizarro. Mas foi o que ocorreu. Bakunin finalmente acabou fazendo a “desautorização” pública do famoso texto e das ideias de Netchaiev, mas com timidez, porque sentia claramente o absurdo, a contradição da coisa (o mais famoso anarquista des-autorizando um militante entusiástico, como se tivesse autoridade para isso!).

Só que era necessário — uma questão prática, estratégica e de senso de realidade. E Bakunin, quanto a isto, falhou. Gravemente. Porque quanto tomou atitude contra o jovem amigo Netchaiev, o fanático fascistóide, já era tarde demais. O texto O catecismo revolucionário e sua interpretação específica por Netchaiev já se haviam espalhado como obra do influente e indiscutivelmente anarquista Bakunin. Essa demora de Bakunin em desautorizar o amigo gerou enorme confusão no espírito da militância anarquista mais recente da época.

O resultado foi aguns militantes desmiolados, declarando-se firmemente “anarquistas”, cometerem assassinatos de intelectuais em atos de terrorismo bastante semelhantes a este que chocou a Europa com a morte de Charles Hebdo. Um anarquista conhecido, sob influência dessa “nova linha” de pensamento pseudoanarquista, acabou uma bomba num café parisiense frequentado por intelectuais, matando um monte de gente. Como se isso, essa imbecilidade sanguinolenta, fosse ajudar de algum modo o movimento!

Quem quiser estudar melhor os acontecimentos de que estou falando, e suas consequências (péssimas para o anarquismo na época) sugiro que comece pelo estudo Bakunine e Netchaiev (três estudos sobre Bakunine), do anarquista militante Jean Barrué. Esse estudo pode ser encontrado em português por exemplo numa publicação da editora Assírio & Alvim (de Lisboa, Portugal) de 1976, organizada pelo mesmo Jean Barrué, e que congrega os textos O anarquismo hoje (de sua autoria); A reação na Alemanha, de Bakunin; e O catecismo revolucionário de Netchaiev.

O excelente estudo de Barrué sobre as circunstâncias e o contexto que fizeram o texto fascista  O catecismo revolucionário passar à militância como se fosse um texto anarquista (e ainda por cima assinado pelo famoso Bakunin), aparece nessa publicação como uma espécie de introdução ao texto de Netchaiev, para nos ajudar a compreendê-lo.

Os Black Blocs brasileiros e a linhagem da infiltração
fascista nos movimentos marxista e anarquista

Por que é que estou dizendo tudo isto em um texto sobre os Black Blocs do Brasil? Creio que a conexão já está óbvia: esses caras, dêem-se conta disso ou não, são netchaievianos, e não anarquistas “da gema”, por dizer assim. São caras que se julgam anarquistas… e não são.

A Marilena Chauí (boa intuição) acertou (é claro, supondo que eu também esteja certo… mas leiam, leiam por vocês mesmos o estudo de Barrué, e examinem direito os detalhes, as referências históricas que ele apresenta, porque são boas… examinem os detalhes do contexto histórico em que o texto de Netchaiev passou como se fosse de Bakunin, e me parece, a coisa ficará bem clara).

O problema maior, que estou agora me dedicando com afinco a estudar, é essa fragilidade do anarquismo revelada por situações como esta de Netchaiev e dos Black Blocs brasileiros (ainda preciso ir mais fundo nos estudos para verificar se e em que medida esta minha crítica afeta também os Black Blocs de outras partes do mundo). Um ponto fraco no anarquismo que precisa ser estudado com muito cuidado, para tentarmos encontrar correção, porque é um ponto fraco perigoso: a possibilidade de que pessoas com mentalidade fascista encontrem brechas para infiltrarem o seu posicionamento no anarquismo.

É aliás uma fragilidade similar à da própria democracia quando permite que coisas antidemocráticas, como o nazismo, na Alemanha, subam ao poder pelas próprias vias democráticas. De modo que não é um problema que interessa apenas aos anarquistas.

No caso específico do anarquismo, venho estudando com afinco essa questão, e fazendo o levantamento histórico dessa tendência, dessa linhagem de infiltrações fascistas no seio do anarquismo (porque infelizmente Netchaiev e os Black Blocs brasileiros não são casos isolados). Entender essa via de infiltração fascista no anarquismo conduz a entender que é uma infiltração maior, afeta não ampenas o anarquismo sob certas circunstâncias, mas também (e com muito maior facilidade, durabilidade e penetração) o marxismo.

Fazer o estudo histórico dessas infiltrações fascistas no anarquismo e no marxismo ajuda a compreender melhor o que indiquei como sendo a coerência própria dos Black Blocs (dos brasileiros, ao menos) no fundo do posicionamento que defendem.

Esses estudos me levaram a encontrar, como base de um pensamento coerente e muito refinadamente elaborado, na linhagem dessas infiltrações, um autor, um filósofo, especialmente intrigante e interessante: Georges Sorel, um dos principais teóricos do sindicalismo revolucionário, e autor do famoso Reflexões sobre a violência.

Georges Sorel, o mais profundo e coerente infiltrador
de valores fascistas no pensamento socialista

Devo essa descoberta aos Black Blocs, que me forçaram a buscar alguma base filosófica capaz de mostrar o sentido coerente por detrás de seu posicionamento. Por esse “favor” que indiretamente me fizeram (a descoberta do absolutamente genial Sorel, que provavelmente nunca leram, mas deveriam), por esse favor, sou-lhes profundamente grato. E como resultado, também, posso claramente declará-los meus adversário. Um grupo que, a princípio, devo combater.

Estou neste exato momento a umas poucas páginas de terminar minha primeira leitura do livro Reflexões sobre a violênciaA descoberta da filosofia de Sorel foi para mim um achado inigualável. Até quase metade do livro não sabia se acabaria por me posicionar eu mesmo como um soreliano ou como adversário feroz de Sorel, embora já desde o início tendesse a vê-lo como um adversário. Tendia de saída a vê-lo como adversário por saber que, apesar de começar como sindicalista revolucioário (o que me agradava) terminou como monarquista e logo em seguida, fascista.

Pior ainda que isso: Sorel foi o responsável por uma profunda deturpação do pensamento do anarquista Proudhon (praticamente uma difamação), pela qual na França, um grupo de extrema direita monarquista passou a se considerar “proudhoniano”.

Se Sorel fosse incoerente seria fácil rebatê-lo.

Mas infelizmente, apenas sua leitura de Proudhon é, menos que incoerente, apenas um pouco esquisita, e sem compreensão correta do espírito da coisa. E sua leitura de Marx, ainda mais assustadoramente, pretende ser (e com muito bons argumentos) uma leitura mais profunda e mais apegada ao próprio espírito da obra de Marx, em seu núcleo mais vivamente revolucionário…

O esforço soreliano em busca do verdadeiro núcleo do espírito revolucionário em Marx o conduz a um marxismo que muitos marxistas não reconheceriam como tal, e batizariam (erroneamente, segundo o próprio Sorel, mas será mesmo que erroneamente?) de “anarquismo” — e que acaba, para nosso horror, abrindo brechas para o posterior deslize teórico desse autor, desse pontente defensor do sindicalismo revolucionário, para a defesa do fascismo.

De resto, em seu próprio pensamento Sorel é coerente do princípio ao fim, e encontramos sim (encontrei, embora confesse que a custo) já embutidas em sua postura como sindicalista revolucionário (em que se posicionava como um marxista quase anarquista) as sementes de seu futuro fascismo. Isso quer dizer que essa postura marxista quase anarquista — e não duvido que muitos a considerem pura e simplesmente “anarquista”, apesar de o próprio Sorel se declarar firmemente marxista — é uma postura limítrofe na fronteira entre marxismo e anarquismo de um lado, monarquismo e fascismo de outro.

Estou seguro de que diante do problema, a tendência de muitos anarquistas seria a de simplesmente declarar: “Você está falando de um marxista, a tendência do marxismo para o fascismo já é mais do que conhecida e critidada entre nós, pare de associar Sorel a nós”. De fato, Sorel é, se declara inclusice profundamente marxista. Mas estou também seguro de que muitos marxistas teriam a tendência a se librarem do incômodo decretando que Sorel “deslizou para o fascismo justamente devido às influências irracionais que sofreu do anarquismo”.

Tanto uma coisa quanto outra são na verdade apenas maneiras de fugir do problema, de enfiar a cabaça num buraco como um avestruz. Porque se de fato Sorel é declarada e assumidamente marxista (os anarquistas têm razão), também é de fato declarada e assumidadmente influenciado, e bastante, pelo anarquismo (os marxistas também têm razão). E aquilo que, em sua teoria, o levou a deslizar para o fascismo no final da vida, infelizamente está sim, presente tanto em sua busca do “coração”, do “núcleo” do espírito revolucionário em Marx, quanto em suas influências anarquistas.

Algo do marxismo e algo do anarquismo, e mais precisamente uma específica combinação desses dois “algos”, mas uma combinação que não é tão difícil assim de se fazer, pôde ser coerentemente interpretada, em Sorel, de maneira a arrastá-lo para o fascismo. Este é o problema. E é grave, do ponto de vista das orientações teóricas assumidas por essas duas correntes de posicionamento, porque mostra uma brecha em ambas para uma interpretação fascista coerentemente possível. E é por isso que esse problema teórico — grave — precisa ser examinado com a devida atenção.

Uma tal postura limítrofe com o autoritarismo fascista, em que alguém pode se considerar ao mesmo tempo de um lado e do outro da linha sem perder a coerência, ao mesmo tempo marxista ou comunista; e monarquista ou fascista, não era para existir. É perigoso que exista. A questão é: o que exatamente, nas teorias anarquistas e no marxismo, permite que isso exista com tal coerência? O que, exatamente, deve ser corrigido para evitar isto, e como?

Qualquer intelectual que tenha real apreço pela orientação anarquista ou pela orientação marxista deveria examinar isto com bastante atenção, e não esconder o problema debaixo do tapete, porque é um problema real e não, não é meramente teórico. Trata-se do que orienta a militância e a ação coletiva.

De que modo o estudo de Sorel
afetou pessoalmente o Borba (autor deste artigo)?

Alguns filósofos têm desempenhado um papel bastante importante e bastante específico no desenvolvimento de minhas próprias formulações filosóficas, filósofos que costumo chamar de adversários valorosos. Sorel, sem dúvida nenhuma, tornou-se um deles desde que comecei a me dedicar ao estudo deste problema. Considero-o, apesar de tudo, apesar de sua horrível, inaceitável propensão para o fascismo, o melhor de todos os marxistas.

E ao mesmo tempo (por essa mesma propensão) o pior, e ainda pior por sua grande (infelizmente graaaaaande) aproximação com o anarquismo em diversos aspectos. É preciso, para utilizarmos uma linguagem que é do próprio Sorel, operar a cisão que o separa dessas correntes de pensamento, que o separa do marxismo e do anarquismo. Especialmente, eu diria, do anarquismo, o que considero uma missão pessoal… mas digo isto porque minha velha paixão pelo anarquismo ainda tem alguns resquícios em mim… os marxistas que se virem por si mesmos com essa malevolamente genial & perigosa tranqueira que é a teoria soreliana, já que a permitiram com um acolhimento muito maior do que os anarquistas!

Sorel está agora na lista de meus apaixonantes adversários valorosos, aqueles contra os quias luto porque merecem combate, porque são excelentes em suas próprias posições e a seu modo, por mais que eu tenha decidido combatê-los e que inclusive deteste suas conclusões ou as consequências de seus pensamentos.

Meus adversários valorosos são uma pequena coleção muito seleta de pensadores ou linhagens teóricas; preciosos para mim, porque aprendo muito estudando-os e combatendo-os (e, em alguns casos, odiando racionalmente suas teorias, inclusive). Quem são? Por enquanto, Platão, a lógica elementar matemática de primeira ordem, a teoria matemática dos jogos, Schelling e Marx. Sorel acaba de entrar para esta ilustre galeria dos meus “vilões” preferidos como a última aquisição.

Analisando Sorel, decompondo seu pensamento em pontos que aceito e não aceito, quase que poderia dizer-me soreliano. Algumas passagens de seu pensamento são mais do que deliciosamente abraçáveis! Entretanto, fazer isso já significa ser anti-soreliano: Sorel pretende que o espírito de seu pensamento deve ser aceito em bloco, mesmo que não aceitemos este ou aquele ponto.

Pois é: li a principal obra de Sorel com essa dúvida constante no espírito — Estou lendo um adversário ou um aliado? O que o coloca como adversário valoroso para mim, e não como uma influência que devo acolher, é precisamente isto: sua exigência de ser captado em bloco pelo espírito básico daquilo que defende. E o que não aceito, o que recuso e combato em Sorel, é precisamente o núcleo, o coração, o espírito básico do seu posicionamento, apesar de acolher muito do seu modo de proceder com o pensamento e inclusive várias coisas (não tudo) do que propõe como modo de proceder para a militância, quanto à atuação no campo político.

Fascinou-me especialmente o fato de Sorel (como eu próprio já vinha fazendo) conectar o exame das ações políticas a uma questão de estética. Mais do que isso: a estética soreliana envolve uma oposição entre o que é da esfera da imagem, do imagético,  e o que é da esfera do textual. Essa mesma oposição tratada historicamente e dialeticamente por minha refer~encia maior, mais próxima e mais antiga: Vilém Flusser.

Mas tomei finalmente a decisão de classificar sorel, para mim, como adversário e não aliado, quando cheguei ao capítulo VI – A moralidade da violência, em seu livro Reflexões sobre a violência.

Sorel decerto acharia que o capítulo feriu minha “adocicada sensibilidade burguesa” de “intelectual acadêmico”. Minha avaliação é oposta a essa: é a de que neste capítulo Sorel revela afinal o fundo, o leito de valores nada revolucionários, pelo contrário, ultraconservadores, em que corre o seu pensamento sob outros aspectos tão autenticamente e vivamente rebelde, revolucionário.

Sorel, então, passa à lista de meus adversários valorosos. Um novo aliado, aliás, me ajuda a combatê-lo. Um outro sindicalista revolucionário, com o qual sindo muito maior afinidade, embora não veja nele, confesso, a mesma genialidade: Erico Malatesta, o simpático e heróico anarco-sindicalista italiano, amigo de Bakunin com perfil muitíssimo diferente daquele do fanático Netchaiev. (O mesmo Malatesta que nos tempos atuais tem servido à FAU, Federação Anarquista Uruguaia, como uma de suas inspirações.)

O interesse em confrontarmos Sorel com Malatesta

Malatesta é para mim outra descoberta (ou redescoberta recente) — porque já o conhecia de minhas leituras de adolescência, mas o havia esquecido.

O que ele tem a nos dizer é efetivamente genial, e se digo que sorel é ainda mais genial, é porque a genialidade de Malatesta na verdade está mais em compilar e difundir de maneira claríssima e supercoerente quase toda a diversidade das teorias anarquistas de modo coerente, mas sem acréscimo pessoal realmente original além da simples (e para ele central) adoção do sindicalismo revolucionário como estratégia básica de ação.

Malatesta de fato agrega quase por inteiro, e exprime com enorme didática, os pensamentos de Proudhon, Bakunin e Kropotkin, sem citá-los, mas utilizando-os com consideraável precisão (especialmente Bakunin e Kropotkin), e detectando o fundo de coerência entre eles — o que já não é pouca tarefa! Fica a dever em relação ao anarco-individualismo de Stirner, vendo nesses individualistas radicais algo admirável, mas que se esgota num desperdício de forças que só conseguiriam de fato alguma coisa na luta coletiva.

Enfim… “gênio”, “não gênio”, “original”, “não original”… essa pataquada toda significa exatamente o quê, diante daquilo que exprime tão bem quase toda uma corrente de pensamento, no caso a anarquista? Reconheço em Malatesta um poderoso aliado no combate a Sorel, e na analítica absorção (com que Sorel se revoltaria) apenas daquilo que na teoria soreliana se apresenta de fato como um excelente aprendizado, rejeitando e descartando o resto — o que significa sim rejeitar o próprio espírito, o coração, o núcleo, o centro do posicionamento soreliano.

Em tempo: uma pequena observação
quanto ao liberalismo burguês e capitalista
(para evitar mal-entendidos)

Tenho tentado encontrar algum adversário valoroso também na linha do liberalismo burguês e capitalista, mas não encontro, os pensadores dessa linhagem vão me parecendo todos, sucessivamente, medíocres, um a um.

Os candidatos mais próximos disso (ou menos distantes) são talvez dois.

O primeiro é John Locke, desde que detectemos a coerência entre sua teoria do conhecimento e sua teoria política, e o captemos devidamente refinado em sua leitura pelo gênio desmiolado do Robert Nozick, esse neoliberal que comete a infâmia (beirando o ridículo, na verdade) de se dizer “anarquista”.

O segundo candidato é, aquela corrente de economistas da teoria utilitarista do valor, os assim chamados “marginalistas”.

Mas como já disse, mesmo na combinação mais inteligente que consegui até o momento fazer de tudo isso (Locke, Nozick e os economistas que mencionei), o bloco todo continua me parecendo uma procissão de medíocres em comparação com meus já selecionados adversários valorosos, que merecem realmente ser combatidos, e com os quais acabo aprendendo conforme os combato.

O artigo que vinha escrevendo, Um breve esboço de mapeamento das novas “esquerdas” não-partidárias mundiais, e que parei a meio de caminho, deixando-o em rascunho, vai ficar assim mesmo, inacabado, para que o que digo aqui não perca a coerência. Ao invés disso, vou acrescentar a ele um esclarecimento quanto a tudo isto, e continuar meu mapeamento em outro atigo, futuramente, retomando-o com mais cuidado.

Em projeto (ou “para concluir”… dá na mesma)

Devo em breve colocar também em meu site (minha “euciclopédia”) ProjetoQuem, na seção Quem de A a Z, um artigo resumindo a teoria de Sorel. Quando o fizer, retornarei a este artigo do blog acrescentando aqui embaixo deste parágrafo um link em destaque para o artigo no site ProjetoQuem. Hoje é dia 30/03/2015, e se o link não está aparecendo aqui embaixo, é porque ainda não publiquei o tal resumo de Sorel.

No que diz respeito à meu próprio processo de formação filosófico, me sinto bastante animado com esse novo objeto estudo ao lado de tantos outros que vou desenvolvendo paralelamente.

Seja bem vindo, Sorel! — Vou passar-lhe uma bela rasteira! 

E vocês, Black Blocs (pelo menos os do Brasil), digo que deveriam ler esse autor. Deveriam mesmo, concordando ou não com tudo o que ele vai dizendo, porque queiram ou não, é essa linha de pensamento a que, ao menos por enquanto, se capta embutida por detrás de seu estilo de ação. Concordando ou não com este ou aquele ponto do que ele diz, asseguro que, por seu estilo de ação, estão muito mais no coração, no espírito soreliano, do que eu, que li Sorel e colho dele apenas o que me interessa. Deveriam lê-lo para compreenderem melhor a si mesmos… ou ainda para refletirem melhor a respeito de si mesmos.

Eis tudo o que tinha a dizer por enquanto.

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