Em busca de referenciais existencialistas

Minha paixão pelo existencialismo começou na pré-adolescência, com as palestras do Vilém Flusser (ele próprio existencialista). O Flusser me instigou a expandir e aprofundar estudos nessa direção, procurar mais referenciais na filosofia. Estou buscando até hoje, nos últimos tempos com um sentimento de urgência que não sei bem de onde vem… e ainda não encontrei nada que me satisfaça plenamente. Destarte estou cada vez mais achando que vou ter que formular minha própria versão de existencialismo a partir de muitas e muitas pequenas mordiscadas em referências muito variadas além de minha referência flusseriana original.

As principais referências do próprio Flusser nessa direção já não eram poucas: Heiddeger, Husserl, Nietzsche, Camus, Bubber e a psicologia da Gestalt — embora não necessariamente Fritz Perls, um dos mais claramente existencialistas na Gestalt. Minhas “mordiscadas” devem me levar ainda mais longe. Flusser interconectava intimamente o existencialismo com o método fenomenológico, como os que conhecem melhor a história da filosofia podem notar pela presença de Husserl (fundador da fenomenologia) ao lado de Heiddeger (também fenomenólogo) nas referências dele que mencionei acima.

Fenomenologia e existencialismo são mesmo coisas aparentadas, mas não necessariamente interconectadas em qualquer pensador que simpatize com alguma delas. Para mim também, por exemplo, estão interconectadas, só que ao invés da fenomenologia, que me parece excessivamente “purista” e “idealista”, prefiro me apegar a outras versões de fenomenismo (ou apego ao exame das aparências), como a dos céticos pirrônicos por exemplo.

Dessas referências, Heiddeger — central para Flusser — não me impressionou tanto. Bubber um pouco mais, mas também não tão intensamente. Husserl, quase nada. Desses todos, a Gestalt (especialmente a de Kurt Lewin), Camus e a filosofia de Nietzsche são as que mais me tocaram.

Pesquisando mais, adquiri alguma simpatia por Kierkegaard, mas seu apego excessivo à questão religiosa o afasta de mim. Me agrada bastante a conexão que Merleau Ponty faz, a certa altura, entre existencialismo e dialética, mas não o suficiente para ele me servir de referência. Sartre, me atrai mais como escritor de literatura do que como filósofo (Camus, por outro lado, me atrái dos dois modos). Nas teorias existencialistas da psicologia, além da Gestalt, me atrái desde a adolescência (e continuma me atraindo) especialmente a antipsiquiatria Laing.

Mas o mais forte de todos os meus apegos no sentido do existencialismo (o único que para mim, até agora, rivaliza com o apego que sinto por Camus, por Nietzsche e pelo próprio Flusser) é um precursor praticamente da mesma época de Kierkegaard: o anarco-individualista Max Stirner, que combina esse seu “existencialismo” anterior à fundação oficial do existencialismo com uma boa dose de ceticismo pirrônico e uam releitura bastante original da dialética.

Para além disto, nos últimos tempos tenho buscado alguns referenciais menos comuns: tenho buscado um possível referencial em uma reinterpretação existencialista do pensamento oriental (sobretudo chinês) a respeito do fluxo do tempo. Daí meu interesse por leituras sobre concepções do tempo orientais, como a do livro Tempo e espaço na cultura japonesa, de Shuichi Kato. Japão não é China, mas parece haver aí também algo de interessante para mim neste sentido, afinal.

Deixe uma resposta