O “politicamente correto” sob a ótica estratégica de Maquiavel

Em facebook ocorrem frequentemente diálogos que, num formato interessante, combinam comparilhamento, recompartilhamento e comentários de posts, e recentemente entrei num desses diálogos – um relativamente acalorado, mas ainda não muito – acerca do “politicamente correto”.

O diálogo ocorreu basicamente do seguinte modo.

Uma amiga antiga repostou um post do jornal “O Globo” sobre um bom comediante de velha geração, já com certa idade, que reclamava dos tempos atuais no mundo da comédia dizendo: “É muito chato. Não pode ter mulher pelada, não pode ter bordão. Pra mim, isso é uma espécie de censura.” ( https://glo.bo/2IgD6Qr #JornalOGlobo )

Minha amiga comentou (a meu ver acertadamente) que “não é uma questão de politicamente correto”, mas de mudança dos tempos.

Se a entendi bem, quis dizer que aquele tipo de humor apelativo no uso na figura da mulher, que na verdade para alguns de sensibilidade mais refinada para as questões políticas e de direitos indiretamente envolvidas (como ela, ou como eu por exemplo) nunca teve graça… de qualquer modo é um tipo de humor que  já não faz mais sentido nos tempos atuais.

Não faz sentido devido às mudanças nos costumes, que finalmente começam a reconhecer e aceitar, a duras penas, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e sair do antigo tratamento irrefletido e obtuso na mídia, da mulher como objeto.

Minha amiga acentuou ainda o quanto lhe parece natural que os mais idosos, como o tal comediante, tenham dificuldades para acompanhar os novos tempos e aceitar o tratamento igual para homens e mulheres que vem ganhando terreno – por mais desejável que seria eles conseguirem superar essa dificuldade e acompanhar. E finalizou afirmando que aquilo que realmente a choca, é constatar tantos jovens ainda agarrados a esse tipo de machismo apelativo.

Então o diálogo começou a tomar um rumo levemente mais tenso: um sujeito que não conheço tensionou mais o que minha amiga havia colocado ao criticar o comediante dizendo: “A estúpida e trumpiana cruzada contra o politicamente correto.” – não consegui deixar de soltar uma risada, porque a meus olhos, talvez um tanto sujos de contaminação pragmática maquiaveliana, a mencionada cruzada trumpiana é coisa tão estúpida contra o próprio “politicamente correto”, na forma que vem assumindo no Brasil.

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