Problemas terminológicos: a palavra “sistema”

Físicos e químicos utilizam normalmente a palavra “sistema” para um conjunto em que há interações entre as partes. Por exemplo o conjunto de dois tubos de laboratório interligados, quando a passagem entre os dois é aberta e o gás que ocupa um deles se expande ocupando também o outro. Consideram os dois tubos interligados, no caso, como um “sistema”.

Isso é péssimo. Tubos interligados com gás expandindo-se por eles constituem uma das situações que classicamente oferecem exemplos para explicações acerca do funcionamento da entropia. Um sistema é algo organizado de uma manneira específica, e não simplesmente um conjunto formado por partes inter-relacionadas. e as noções de “ordem” e “desordem” têm sido também muito utilizadas — a meu ver erroneamente — nas explicações acerca da entropia.

Eu evitaria a palavra “sistema” para o conjunto formado por partes simplesmente inter-relacionadas de uma maneira qualquer. Porque na verdade ela implica não apenas uma certa interação entre as partes do conjunto de elementos considerado, mas também já certas conjeturas acerca do tipo de relações entre partes diferenciadas que constitui esse conjunto de elementos examinado. De modo que o simples fato de coisas interagirem umas com as outras não faz delas exatamente um “sistema”.

Digo isto porque um conjunto de elementos pode estar organizado mais sistemicamente ou menos. Expressões como “o todo em consideração” ou “o conjunto considerado”, ou tanvez algo como “a configuração completa” ou… (minha preferida) “o todo configurado”, me parecem um pouco mais neutras nesse sentido, um pouco menos contaminadas de pressuposições.

O que me incomoda, para ser bem sincero, no uso da palavra “sistema”, é que as relações das partes de um sistema são funcionais para o todo do sistema — e é por serem funcionais para o todo que são sistêmicas. Essa funcionalidade não é característica de toda e qualquer relação.

E suspeito que que a funcionalidade — sobretudo na medida em que se aproxime da perfeição e do melhor ajustamento possível à função que a parte exerce no todo — seja uma relação… mais entrópica do que muitas outras!

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