Processo de construção da série Sinapses – Agosto de 2017 em Facebook

I – (2 de Agosto)

Está quase completo o roteiro básico da primeira temporada da série de videoaulas combinadas com ficção que estou há anos planejando e economizando e conseguindo equipamento pra poder realizar, e já está avançada a pré-edição de um dos episódios finais, e de muita matéria-prima para os demais de toda a temporada.

Fiz, entrelaçados, um roteiro dos conteúdos de filosofia e sobre pensamento mítico que serão trabalhados, e um roteiro da parte ficcional, que é uma história de detetive envolvendo mistérios tenebrosos quase sobrenaturais, e toda uma trama sobre uma conspiração política e criminosa de gigantescas proporções, coisas que serão tratadas com o mais ácido e escrachado humor negro, bastante exagerado, e alguma referência a culturas underground.

Esteticamente, vou utilizar uma combinação de estilos que, cada um a seu modo, já foram todos rotulados de “subversivos” ou considerados excessivamente marcados pelo senso crítico e até autocrítico que incorporam (e às vezes cultuados por isso entre rebeldes) ou então estilos rejeitados como “lixo” ou como produtos de “subcultura” popular e inferior na história da arte e em particular do cinema rsrsrs. Estou combinando tudo isso com o que chamaria de “cinema de reciclagem”, ou “patchwork cinema”…

Nos comentários:

Está quase completo o roteiro básico da primeira temporada da série de videoaulas combinadas com ficção que estou há anos planejando e economizando e conseguindo equipamento pra poder realizar, e já está avançada a pré-edição de um dos episódios finais, e de muita matéria-prima para os demais de toda a temporada.

Fiz, entrelaçados, um roteiro dos conteúdos de filosofia e sobre pensamento mítico que serão trabalhados, e um roteiro da parte ficcional, que é uma história de detetive envolvendo mistérios tenebrosos quase sobrenaturais, e toda uma trama sobre uma conspiração política e criminosa de gigantescas proporções, coisas que serão tratadas com o mais ácido e escrachado humor negro, bastante exagerado, e alguma referência a culturas underground.

Esteticamente, vou utilizar uma combinação de estilos que, cada um a seu modo, já foram todos rotulados de “subversivos” ou considerados excessivamente marcados pelo senso crítico e até autocrítico que incorporam (e às vezes cultuados por isso entre rebeldes) ou então estilos rejeitados como “lixo” ou como produtos de “subcultura” popular e inferior na história da arte e em particular do cinema rsrsrs. Estou combinando tudo isso com o que chamaria de “cinema de reciclagem”, ou “patchwork cinema”…

Minhas influências em termos de estilo estético nesses vídeos que estou fazendo:

  • “uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”, proposta de Godard.
  • o cinema de realismo bruto sem efeitos nem maquiagem do grupo DOGMA 95
  • o terror que circula em videos da net tornando os efeitos mais absurdos similares a algo hiper-realista como em um documentário amador
  • o terror “trash” cômico super-exagerado, do tipo monstros de borracha e sangue de geléia, de filmes como os do movimento TROMA, de Lloyd Kaufman
  • o humor de Andy Kaufman (amo de paixão esse humor enlouquecido e suicida, em que arte e vida se fundem)
  • o humor absurdo, filosófico e escrachado dos textos de Douglas Adams e comédias do grupo Monty Python
  • O “mashup” cinematográfico de Guy Debord e dos situacionistas
  • A estética dos gibis de quadrinhos, desde os às vezes comercialíssimos super-heróis até os quadrinhos underground, e a estética dos fanzines (com muito, mas muito mesmo de motion-art)
  • a estética dos pixadores
  • o que nunca me lembro como se chama (Work-in-process? Work-in-progress? Working process? Working progress?…) Mas que consiste basicamente em uma arte que vai expondo como parte dela o seu próprio processo de construção — e esta de q nunca lembro o nome é justamente a maior de todas as minhas referências rsrsrs
  • o teatro crítico de Brecht, com suas rupturas do envolvimento passional direto do público, via máscaras, artificialismo proposital, metalinguagem e discurso indireto
  • o teatro crítico-passional de Artaud, que com efeitos sensoriais fortíssimos leva o público ao envolvimento passional até uma situação-limite em que as concepções padronizadas e preconcebidas das coisas se rompem…
  • o teatro antropológico de Eugênio Barba (em versão mais “pop”)
  • o cinema trash no estilo Ed Wood, em que se conta a história e a fidelidade ao continuísmo imagético e ao “convincente” são soberanamente ignorados rsrsrs…
  • South Park não deixa de ser também uma referência …

Os estilos irão ora se combinando numa química estranha, ora se alternando sem padrão previsível…

O resultado final talvez fique uma merda, mas vai ser uma merda muitíssimo divertida de realizar ????

II – (2 de Agosto)

Este é um resumo bem sumário dos primeiros temas de filosofia e sobre pensamento mítico que estão planejados e e roteirizados para minhas videoaulas pessoais do ProjetoQuem na primeira temporada da série (só dos primeiros temas, ñ vou divulgar todos os temas da temporada por enquanto).

Os temas serão tratados abstrata e conceitualmente, sem referência direta ou explícita a nada da realidade presente, de modo a poderem manter melhor algo de sua validade até futuro quiçá distante e para uma grande variedade de situações reais possíveis. Mas não deixarão de ser trabalhados por meio de exemplos: exemplos imaginários tirados da historinha de ficção.

Nesta primeira temporada, os personagens principais da parte de ficção serão uma dupla de “professores-detetives”, tipo Sherlock e Watson, mas ambos com características bem peculiares e um tanto bizarras. Não é certo que eu inclua desde já também alguma aparição do super-herói Professor Errante. Mas é possível.

O caso que os detetives estarão investigando se chamará “Caso da Sereia (ou Os vídeos de Oto)”, num jogo de palavras com a ideia de idiotização midiática e fanatizante, que prende pessoas fanaticamente a um “idios” sectário, preconceituoso e rotulador, fechado à percepção real do “outro”. De modo que dois temas gerais que perpassarão o conjunto inteiro dessa primeira temporada são o mito da Sereia e a questão do fanatismo.

É dentro disso que irão se desenrolando todos os demais temas do roteiro. Mostrarei aqui só dois mais gerais desses temas, cada um dividido em subtemas.

Os temas dos primeiros episódios:

1. Identidade, alteridade e conhecimento

Subtemas filosóficos:

Liberdade, duplicidade, ludicidade e erupções do paralelo e do lúdico onde são imprevistas ou consideradas “inadequadas”, “subversivas” para aquele contexto etc. — a questão da ruptura de padrões e do “pensar fora da caixa” no campo do conhecimento.
Subtemas sobre o mítico:

Os mitos da “dupla” de heróis e do “duplo” ou “lado sombrio” do herói, ou das pessoas, grupos e instituições. O mito do “herói”, de um modo geral. O mito do “desvendar mistérios” e o da “grande descoberta”.

2. As origens da Filosofia e as relações entre filosofia e busca de libertação intelectual (por exemplo em relação a preconceitos).

Subtemas filosóficos:

As diferenças, oposições e confluências entre os pensamentos de tipo religioso, político, científico, filosófico e lúdico-mítico (ou coletivo e poético-realizador, coletivo e criador lúdico de “realidades sérias” e instituições ou alterações institucionais). Exame dessas coisas no tempo do nascimento da

Filosofia e também nos tempos atuais.

Subtemas sobre o mítico:

O mito da morte em oposição à vida. O mito do par morte-renascimento. O mito das águas e do “mergulho” como portais para uma sabedoria transformadora.

III – (3 de Agosto)

Como é o mito da Sereia ( um dos temas centrais da futura primeira temporada das videoaulas que estou preparando), e como é a a sereia que será representada nesses vídeos?

Talvez dê uma primeira palhinha a respeito aqui, em breve… não é como a da Disney, nem de longe. O rosto aparecerá vagamente em transformação em algum momento, mudando de idade com efeito morph em segundos (só meio rosto, um terço de rosto, coisa assim… o suficiente para sugerir as midanças). A sereia está para além das idades, as atravessa. Mas tem uma forma mais estável a ser sigerida: mulher madura, com elementos fortes de sedução, seios expostos, mas jovial, movimentos ágeis.

A sereia mesmo assim ainda apresentará metamorfoses. Será difícil fixar exatamente qual o seu rosto, a cor dos cabelos, a cor e a forma da cauda etc. E findamental: estará diretamente associada a um animal capaz de metamorfoses: o polvo — no fundo será ela própria apresentada como uma evolução humanóide dos cefalópodes. Um monstro então? Não: sedutora e ao mesmo tempo assustadora, representa a fonte original, em nascente, de todas as formas naturais, e neste sentido um símbolo da mais profunda sabedoria acerca da gênese das formas naturais…

Mas uma sabedoria tão vasta e profunda que pode enlouquecer ou matar o simples mortal que vá longe demais em busca dela: uma sabedoria profunda, sedutora, assustadora, e no fundo, inacessível a não ser na superfície (o resto, o peixe, fica submerso no inconsciente). Os seios representam a fonte vital, o que alimenta e faz evoluíram as formas, e ao mesmo tempo também a sedução para o inacessível, para o insuportável, para o humanamente invivenciável sem enriquecimento ou morte, sem perda de consciência.

Os materiais para confecção dessas cenas de sereia, são inúmeras microcenas que já tenho, pré selecionadas para depois eu filtrar e selecionar as pouquíssimas que vou utilizar, e serão utilizadas alteradas, semi-borradas, sempre como imagens vagas, indefinidas, mas extremamente sugestivas.

Por que?

Para construir a verdadeira imagem na imaginação do público, que é sempre mais fértil e poderosa do que qualquer imagem clara e precisa já dada. Isto é ótimo, porque potencializa enormemente o efeito estético: a pessoa “vê” o que não está lá, e cada um vê à sua maneira, do modo que mais lhe afeta. É muito bom isso. Muitas das cenas que selecionei, selecionei por causa de um detalhe… uma certa cor de água ou configuração de bolhas por exemplo, ou seios interessantemente apoiados na areia na beira de águas sem muita precisão na imagem, de modo que não se tem clara certeza do que se está vendo.

Chamo essa coleção de Paleta de formas”, é minhas “paletas” serão sempre provisórias e específicas para os vídeos em planejamento, descartáveis. Há imagens que me incomodam inclusive rsrsrs, como as de tubarões, que ainda não tenho certeza de se vou usar. Vou experimentando diferentes versões e me aproximando aos poucos do efeito desejado, “reciclando” às vezes milésimos de segundos de um cantinho do pedaço de vídeo original da “paleta”. Há muito de experimentação, tentativa e improviso nessa brincadeira.

Patchwork Cinema! Cinema de reciclagem!

Com pequenos pedaços de telas supereditados, em geral inidentificáveis, de no máximo um segundo, dois, de vídeos públicos mais ou menos longos… E pimba! Temos vídeos educativos gratuitos com efeitos fantásticos!

IV – (4 de Agosto)

Estou pensando se vai mesmo sobrar tempo pra minhas edições de video amanhã, como estava planejando fazer em alguma parte do dia, ou se faço no domingo. Há muita coisa a preparar. Uma delas por exemplo é um vídeo com a minha cara, com a barba atual, virando pra diversos ângulos e fazendo diversas expressões faciais básicas.

Porque minha mulher insiste muito faz tempo que eu tire a barba e estou mesmo enjoando um pouco, mas um dos personagens que vou fazer, que vai aparecer mais firmemente na segunda temporada dos vídeos ( que também já tem a parte de ficção semi-roteirizada do começo ao fim) precisa da barba: é o super-herói Professor Errante, que diz “poderoso Pan!” e, comicamente, se transforma em bode, e atua como um psicólogo interno, dentro da cabeça de outros super-heróis.

Existe a (grande) possibilidade de que eu venha a antecipar pequenos desenhos animados em motion-art desse terceiro personagem da segunda temporada já durante as postagens dos vídeos da primeira (que trazem as aventuras de Ludi, o surtado, e Quincas, o lobisomem meio-cyborgue que ñ sabe que é lobisomem).

O que é motion-art, e o que tem a ver com eu filmar minha cara em vários ângulos e expressões pro caso de querer tirar a barba?

Motion-art é uma combinação de história em quadrinhos com desenho animado. Uma história em quadrinhos filmada feito um desenho animado, na qual acontecem coisas como um personagem pular de um quadrinho para outro, ou um quadrinho explodir em pedaços e o personagem cair no quadrinho de baixo, por exemplo. Adquiri faz algum tempo um software específico para isso, que já comecei semestre passado a estudar como funciona. É fantástico. Mas o personagem, que será feito com fotos minhas editadas e transformadas em desenhos, precisa de uma barba meio que “de bode”, e não quero ficar pessoalmente preso à barba na vida diária, mas quero poder trabalhar com alguma edição de aventuras desse personagem sempre que vier alguma inspiração.

Qual a solução, então?

Fazer um banco de imagens básicas da minha cara em ângulos é expressões diversas, para colocar no corpo a que escolher quando fizer um quadrinho. Em vídeo fica melhor, porque aí posso pausar e fotografar (fazer print) escolhendo expressões intermediárias entre uma e outra. A partir daí, é só escolher no vídeo alguma expressão mais ou menos aproximada àquela que quero, depois editar em algum desses editores de distorção de imagens, aumentando ou diminuindo um sorriso, uma abertura de olhos etc. Fazendo com acuidade, em questão de minutos da pra obter a expressão que quiser com realismo. Mas minha idéia e reforçar o lado caricato da coisa rsrsrs.

E pronto!

Posso tirar a barba quando der na telha sem ter que esperar crescer pra retomar o personagem quando quiser… antigamente, em meu tempo de Windows, usava pra brincar com isso um software chamado Magic Fun Pixmaker. Achei outro q faz isso pro Mac e instalei. Só preciso lembrar qual era, dos trezentos e tantos que instalei, porque muitos são de edição de imagem. É um deles.

Não é uma super ideia?

V – (6 de agosto)

Definitivamente, minhas videoaulas pessoais do ProjetoQuem vão começar com uma primeira e sumária apresentação dos personagens principais de toda a série (ou pelo menos os que considero “os principais” até o momento).

Que personagens?

De um lado, os investigadores filosóficos e mitológicos Ludi S. H. Borba e Quincas Gil D. — que são também respectivamente um professor de filosofia aposentado por invalidez mental (surtado) mas que continua atuando a seu modo, mesmo meio louco, e seu assistente cyber-lobisomem que sabe que é “cyber” (ou ciborbue, semi-robô) mas não sabe que é lobisomem.

E de outro lado, um psicólogo-professor super-herói imaginário (e que sabe que é imaginário) ligado às profundezas do pensamento mítico coletivo de todos os povos (em especial ao deus Pan dos gregos), e que atua dentro da cabeça de outros personagens (por exemplo de super-heróis clássicos desses que vemos no cinema): o super-herói Professor Errante — que não sabe, mas foi criado, imaginado, inventado originalmente por Quincas, para depois ganhar autonomia quando se descobriu no fundo uma aglomeração viva de produtos do imaginário coletivo humano mundial.

E além desses três, há um personagem especial que está sempre lidando com eles e em contato com eles, participando indiretamente de suas averturas sem que saibam que tem um papel muito mais importante nelas do que parece: eu, o Outro Borba (João Borba) — que os criei, mas que eles (os dois investigadores em especial) pensam ser só um amigo e um auxiliar nas aventuras.

Para eles, sou o “Editor Pirata” de suas aventuras, que as edita, narra e explica para o público. E também sou o Piloto da “Nau dos Loucos” — veículo no qual os dois investigadores às vezes se transportam para uma outra dimensão, onde podem conversar com fantasmas de filósofos que vivem ali e ainda revivem num plano fantasmagórico suas vidas e seu processo de produção intelectual. A Nau dos Loucos tem além disso uma biblioteca, onde os livros são os portais para essas vidas e produções dos fantasmas filósofos. E sou o Bibliotecário dessa biblioteca.

Então, para os detetives mítico-filosóficos Ludi e Quincas, sou o “Editor Pirata” de suas aventuras, o “Bibliotecário dos Mundos Fantasmagóricos” e o “Piloto da Nau dos Loucos”.

Mas sou também o dono do sótão onde Quincas mora e onde ele trabalha com Ludi na LUQUINFILM — Ludi & Quincas Investigações Filosóficas e Míticas.

Mas pra vocês, que me conhecem, podem entender que sou apenas o malucóide do professor João Borba, e que o meu “sótão” onde vive Quincas e onde funciona a LUQUINFILM não passa — evidentemente — de uma representação da minha cabeça kkkkkk.

Sem mais loucura por ora, e atenciosamente seu (digo, de todos vocês) — João Borba. Seu professor maluco de sempre.

VI – (8 de Agosto)

Para minhas videoaulas que estou planejando, misturadas com historinhas de faz-de-conta de detetives, acabei de bolar o nome completo de uma personagem importante, que morre (ou desaparece, porque não se sabe ao certo) logo no início da série de aventuras dos dois personagens criados por mim que são detetives filosófico-mitológicos.

Um dos dois detetives (clamado Ludi) — que é justamente o “cabeça” da dupla — é louco. E a personagem para a qual acabo de criar um novo nome, mais completo, seria a noiva (desaparecida) dele.

Essa personagem (a noiva de Ludi Borba) ía se chamar apenas Alice. Mas depois de começar a ler “Píppi Meialonga”, em homenagem a essa personagenzinha genial que estou adorando conhecer, decidi rebatizar essa minha personagem secundária — simpática, alegre, criativa e brincalhona, mas desaparecida, que é Alice (a noiva do Ludi) — com o novo nome de “Alice Lúcida Cuca Charmosa Pippilotta da Silva”.

De modo que o que se perdeu, no desaparecimento da noiva de Ludi, foi a própria cuca lúcida e charmosa de Ludi — ou seja, a noiva passa a ser a própria representação de sua lucidez perdida.

O enlouquecimento de Ludi e sua esquizofrênica ideia de se tornar “detetive” teriam brotado da incerteza em meio a pistas indiretas e confusas lançadas ao seu redor a respeito de sua noiva desaparecida, e da necessidade obsessiva de entender com clareza o que aconteceu. Tudo isso combinado à sua tortura sádica pelas manipulações de pistas e informações por parte da “supervilã” da história, sua arqui-inimiga, atriz malévola, Irisbel Arquimorte — uma representação antropomórfica da própria morte e da entropia em geral, e de suas prefigurações durante a vida, e ao mesmo tempo uma alusão direta ao terrível Professor Moriarte de Sherlock Holmes.

Irisbel Arquimorte seria a presumível responsável pelo desaparecimento (ou morte) da noiva de Ludi (ou seja, de sua consciência e lucidez). De modo que todas as grandes vitórias detetivescas de Ludi se dão dentro de uma história de vida que, desde o início, não passa de uma grande derrota insuperável — contra o fantasma da loucura que que ele sente que o persegue, mas que na verdade já o dominou… e construiu tudo aquilo que ele é.

Ludi teria enlouquecido supondo que sua noiva ainda estaria viva e tentando encontrá-la ou descobrir o que aconteceu a ela (e ele segue toda a série de vídeos meio louco, surtado). Esse processo de enlouquecimento obsessivo em busca do entendimento foi o que o transformou em “detetive” maluco.

VII – (11 de Agosto)

Hoje estou entusiasmado e com excelente disposição pra talvez começar pelo menos um pedacinho de 1 das 4 camadas de trabalho multimídia que preciso para, segundo o planejado, compor minhas videoaulas combinadas com histórias de fantasia.

Na primeira camada, devo me filmar simplesmente e sem efeitos de video, fazendo explicações sobre o próprio projeto e já explicando os conteúdos (um pouco como numa videoaula tradicional feita de maneira especialmente simples)… Mas introduzindo essas explicações confirmecforem aparecendo os lugares apropriados para elas no decorrer de uma narrativa que estarei fazendo das aventuras de meus personagens.

Na segunda camada, devo produzir cenas, com sonoplastia e efeitos especiais, atuando no papel desses personagens e fazendo “acontecerem” diante dos olhos do público algumas das cenas narradas, às vezes chegando a fazer sumir minha voz de narrador e substituindo a narração por essa exposição direta dos acontecimentos. E preciso então editar as cenas da primeira camada para introduzir nela essas cenas da segunda.

Em seguida, acrescentarei ao conjunto uma terceira camada de recursos visuais e sonoros que, com ou sem a utilização de linguagem verbal, produzam um efeito de releitura crítica do material.
Por último uma quarta camada com a qual farei uma mais intensa e completa integração entre os vídeos e o conjunto de meu Projeto Quem, firmando tida uma rede de referências cruzadas e conexões entre esses vídeos, a enciclopédia online que mantenho sempre em desenvolvimento, meu blog etc.

O “patchwork cinema” ou “cinema de reciclagem” que mencionei em outros posts é um estilo que terá lugar principalmente na segunda camada de todo esse trabalho multimídia.

VIII

Um problema antigo envolvendo minha futura série de videoaulas, e para o qual não acho satisfatória a solução que consegui até agora: o título dos vídeos e da série.

É um problema importante, porque é uma questão de localização dos vídeos pelas pessoas em sequência, dentro do modo como se organizam — que vai ser uma organização em sequências paralelas que de vez em quando se cruzam ou com ramificações em que novas sequências se abrem de dentro de uma outra que já vinha se desenrolando.
E há além disso tipos diferentes de vídeos em meu planejamento, de acordo com o tipo de assunto: estudos pessoais mas visando uma função pedagógica para o público, teorizações filosóficas construídas por mim com posicionamento (filosofia borbiana rsrsrs), leitura e interpretação de textos, provocações artísticas ou brincalhonas para fazer o público pensar… e combinações dessas coisas.

O problema é que cada vídeo deve ter um título atraente e interessante (como o título de um filme de cinema), mas deve também conter todas essas informações: nome da série ou pelo menos uma sigla indicando-a, o tipo do assunto e alguma indicação de em qual das sequências paralelas ou ramificações a pessoa está quando pára para assisti-lo, e qual o número do episódio.

Nas aventuras dos investigadores mítico-filosóficos Ludi e Quincas, por exemplo, cada “caso” detetivesco investigado por eles será uma sequência de episódios até o encerramento do caso (pode-se entender uma “temporada” como nos seriados de TV), mas haverá pontos de cruzamento com coisas que também fazem parte das aventuras do super-herói Professor Errante. Pontos de cruzamento em que ocorrências contemporâneas ou do passado de pensamento mítico irão sendo detectadas e desvendadas em explicações… ou então pontos de cruzamento em que eu mesmo (sem personagem) “brinco” de fazer o papel de “Editor pirata” e “Bibliotecário fantasma” por detrás das aventuras dos personagens explicando-as — interpretando-as filosoficamente ou lendo e analisando um texto teórico de referência para elas… fazendo o “background” de estruturação dos conteúdos expressos e a exposição do próprio processo de construção da coisa (um pouco como já tenho feito aqui em postagens de facebook, só que em vídeo).

Mesmo abreviando tudo isso (por exemplo começando com “SPQ”, porque o nome da série será “Sinapses do Projeto Quem”), com todas as abreviações dessas coisas os títulos podem ficar longos e isto pode afetar o seu charme atraente.

Não posso abrir mão dessa forma de organizar os vídeos (em sequências paralelas e com ramificações) porque depois de décadas de estudo do assunto percebi que era a única que me daria a liberdade e prazer que quero de poder trabalhar e publicar um vídeo sobre o assunto que me der na telha quando me der na tenha, sem abafar os meus impulsos criativos em alguma camisa-de-força ou padronização entediante.

E sem perder minha paixão esquematizadora e mapeadora de vista, como a esta altura já deve ser evidente para quem acompanha minhas postagens rsrsrs… até recentemente não tinha pensado muito claramente essas esquematizações gigantescas que faço como “mapas”. Mas de certo modo é o que são: mapas de um território inventado, para que no futuro eu possa seguir por ele livremente, de improviso, em qualquer direção sem perder a estruturação racional da coisa de vista. Ficar preso a processos completamente irracionais e opacos à reflexão que nos arrastam em alguma direção, pra mim, não é liberdade: é um verdadeiro pesadelo… nesse sentido essas esquematizações me ajudam, e me levam também a sentir alguma empatia, alguma identificação, com as manias obsessivas de organização de Kant.

IX

Downloads! Downloads! Preciso de downloads! Imagens e cenas e imagens pra mais novas coisas que estou pensando para começar a planejar desde já (videoaulas combinadas com fantasia, uma curtição que herdei das “ficções filosóficas de Flusser) — coisas que produzirei da reciclagem desse material, no estilo “patchwork cinema” que imaginei e já comentei noutros posts.

Mal comecei a preparar a primeira temporada desses vídeos, ela já se subdividiu em duas (A primeira mais curta, de apresentação da proposta e dos personagens), e já tenho planejada toda a sequência da terceira.
E agora, de repente, agora numa noite de leve depressão mas marcada pelos contrastes de bons encontros (com um aluno interessado em jogo de Go, uma amiga animada com eventos em sua livraria, um colega de trabalho com que gosto de conversar, um antigo colega de estudos via celular, interessado em publicar uma antiga entrevista minha sobre a filosofia de Flusser)… — enfim, no meio desse contraste entre de um lado uma certa depressão súbita carregada de sensações estranhas, e de outro uma sequência de bons encontros, de repente começaram a surgir ideias para a quarta temporada de minha série de vídeos.

Mas já?! Mal começou a filmar a primeira e ainda nem publicou um episódio inteiro sequer!!! Pois é: já. O que é que impede de já ter as coisas sendo feitas muito antes de serem publicadas? Acho é muito bom. Assim podem ficar prontas já antecipadamente e irem sendo publicadas depois, aos poucos rsrsrs… quem sabe se de repente estou descendo do ônibus e pumba! Me vou num atropelo?

Teriam então como ir se lembrando de mim, seria um estímulo para a minha “vida após morte” rsrsrs, a única vida após morte em que acredito: aquela no coração das pessoas depois… — e se faço tudo isso e nada acontece, não morro nem nada? UAI! MELHOR, NÉ? Vivo é sempre melhor (aí posso ir fazendo mais vídeos ainda rsrsrs)

A primeira temporada, bem mais curta, tratará da apresentação da proposta e dos personagens. A segunda, de uma investigação filosófica e mítica dos detetives Quincas e Ludi. A terceira, da história de formação do super-herói Professor Errante. A quarta foi a que me estalou agora há pouco na cabeça, quando vinha chegando em casa do trabalho: a história do enlouquecimento do investigador filosófico Ludi Borba, após desaparecimento (morte?) de sua noiva — É nesse processo de enlouquecimento que ele começa a se comparar a Sherlock Holmes.

A ideia me veio do seguinte modo. Hoje na ida para o trabalho, vi um negócio esquisito escrito em cimento no caminho pro ônibus, no chão: FARC — como andei postando em Facebook coisas sobre conexões entre grupos políticos ou revolucionários e o narcotráfico na América Latina, a primeira coisa a que associeiisso foi a sigla das “Forças Armadas Revolucionárias Colombianas” (acho que é esse, ou quase esse, o nome de um grupo com essa sigla… só não entendo que raio isso poderia estar fazendo gravado no cimento ali no chão, perto da minha casa… na verdade na frente da antiga casa do famoso marxista Caio Prado Jr).

E agora há pouco, saindo do ônibus com o qual volto fo trabalho pra casa, no caminho, também perto do chão, mas dessa vez pixado numa parede, estava escrito “Lama”. Isso evocou na minha cabeça a lembrança de postagens que fiz em Facebook visando não esquecermos as vítimas da lama da tragédia do rio Doce, e também minha idéia de por algum meio envolver esse caso da lama na trama político-criminosa que servirá de pretexto para a investigação de meus detetives na segunda temporada.

Com base nisto, comecei a imaginar o seguinte: e se o enlouquecimento de Ludi não fosse apenas o produto do sofrimento pela perda de sua noiva sem sinal de cadáver e pela incerteza quanto à sua morte?
E se houvesse mais que isso? E se ele tivesse sido vítima de todo um complô arquitetado por algum grupo do tipo FARC e ao mesmo tempo ligado à trama da segunda temporada (conectada ficticiamente ao caso da Lama do rio Doce), um grupo criminoso ligado à sua arqui-inimiga Irisbel Arquimorte, visando de fato enlouquecê-lo por meio de uma rede de sugestões subliminares altamente elaborada?

Não seria genial?

A sensação estranha, incômoda, que me deixou um tanto deprimido, de repente se esfumaçou por completo diante dessa boa ideia pra avançar uma realização que acho que vai ser uma das maiores curtições ao longo da vida. Foi como se um sopro poderoso de liberdade arrancasse uma sombra pesad esvoaçando em voltada da minha cabeça . Já me aconteceu antes. Várias vezes . Uma ansiedade, uma sensação estranha e opressora vindo do nada… E aí começo a pensar em meus vídeos… E voashhhh! Tchau sombra pesada e opressora. Olá expectativa! Olá vida! Olá futuro!
Hoje aconteceu de novo…

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