sobre crenças (novembro de 2012)

Materialista ateu e ainda insistem: mas não acredita em nada? Diante da pergunta mais precisa, preciso responder mas claramente. Materialista e ateu por fraqueza. A crença então é uma força? Não: materialismo e ateísmo são minhas crenças. Por isso são minhas fraquezas — quase patológicas, eu diria. E como a questão, evidentemente, desliza do campo do que existe ou não para o campo dos valores, a palavra melhor seria… “cético”.

 

Então você não acredita em nada? Calma aí. O cético, em filosofia, não é o que não acredita. Pois não acreditar é uma crença, equivale a acreditar que não. O cético é ainda mais radical. É o que diz: “não sei, vamos examinar…” e investiga. E depois de muito investigar… investiga mais. E assim por diante. E não chega a nenhuma conclusão. Se você se envolve na investigação do cético, oferecendo-lhe teorias, ele trará outras tantas opostas, e as jogará umas contra as outras, usando de todos os argumentos possíveis, e não descansará até que cheguem juntos num impasse. “Chegamos num impasse…”, diz o cético, então: “suspendo o julgamento!”. E manterá essa atitude de “julgamento suspenso” até que surjam novos argumentos, ou até que surjam novas teorias… em suma, até que surjam novos elementos que o obriguem a sair daquele impasse. E então tornará a dizer: “Não sei, vamos examinar…” e investiga…

 

E assim ad infinitum.

 

(Ou até deixar de ser cético, quem sabe?… Mas vai espernear um bocado pra não deixar acontecer!).

 

4/Nov./2012

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