sobre leitura estrutural em filosofia (agosto de 1993)

Fosse praticada, e reconhecida como tal, a filosofia que se faz por outros meios que não só a escrita, e teríamos o desenvolvimento de métodos para isto.

 

5/Ago./1993

 

Boca aberta e rabo de anel. “Leitura estrutural” é um alinhamento de juízos medíocres a partir de um juízo míope e mediocrememente auto-reflexivo que serpenteia entre eles para julgar o quanto são mesmo medíocres e garantir a mediocridade geral da linha, julgando-se o mais medíocre de todos e tão medíocre que ultrapassa a própria condição de juízo, podendo por isso julgar os demais — e como juiz é de fato medíocre, julgando mal a si mesmo, pois nem mesmo é de fato assim tão grandemente medíocre (apenas míope)… não vê que há juízos ainda mais medíocres?

 

Este mesmo não passa de um exemplo, dez vezes mais entremeado de mediocridades…

 

22/Ago./1993 [Revolta juvenil contra o método de “leitura estrutural” de textos filosóficos que me foi ensinado, e constantemente cobrado quando estudante, na universidade (…e curiosamente, eu era bom nisso). Hoje penso exatamente do mesmo modo, exceto por duas coisas: 1ª, minha avaliação quanto aos efeitos desse método na cultura filosófica brasileira me fazem encará-lo não mais como um desafeto pessoal, mas como parte ativa em uma pequena desgraça de porte nacional; 2ª, em meio a tantas outras desgraças pelas quais passou a formação educacional desta nação, esta se torna tão ínfima que, para mim, o assunto hoje já não tem mais nenhuma importância.]

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