VERNANT, Jean Pierre. “Mito e sociedade na Grécia antiga”. Rio de Janeiro: José Olímpio, 2010.

INÍCIO DA LEITURA EM ABRIL DE 2013.

Iniciei a leitura diretamente da última parte, que trata da história dos diversos métodos e interpretações aplicados ao estudo da mitologia, resumidos e analizados criticamente, e acompanhados de uma tomada de posição por parte do autor. Vernant, como não podia deixar de esperar, é brilhante em mais este seu livro (pelo menos pelo que pude depreender até agora da leitura, que ainda está inacabada). Curiosamente detectei nele um posicionamento que parece ter influenciado (diria alias que seguramente influenciou) o de Cornelius Castoriadis, naquilo que este último chama de “imaginário coletivo” em seu livro Instituição imaginária da sociedade.

 

Pierre-Vidal Naquet, estudioso do grupo de Vernant dedicado a estudos sobre a democracia direta de Atenas, parece ter considerável proximidade em relação a Castoriadis, e já li material do mesmo Castoriadis (sobre Platão) que foi produzido originalmente em contato direto, e em debate, com esse grupo de Vernant, em uma universidade. Detectar este ponto de proximidade entre Vernant e Castoriadis, para mim, foi muito importante, pois Castoriadis (que tem o defeito de não mencionar suas fontes) é uma de minhas próprias principais fontes, tem grande influência sobre meu pensamento, e até agora, acreditava que sua noção de imaginário coletivo não teria qualquer relação com estudos sobre mitologia — estudos que, considerados de uma maneira geral, em estudiosos diversos e divergentes, são outra de minhas fontes.

 

Acabo de descobrir, portanto, que meu interesse em relação ao pensamento mágico-mitológico (no qual vejo uma das fontes, fonte hoje oculta, aliás, disfarçada em outra coisa, por detrás da origem das instituições políticas), não era uma diferença minha em relação a Castoriadis… e sim, uma outra semelhança entre nossos pensamentos.

 

Mas tenho uma crítica a Vernant. Embora essa parte do livro em que faz a história dos estudos sobre mitologia traga uma incrível série de referências que podem me orientar, e embora seu posicionamento seja de fato o mais interessante e convincente, em relação aos expostos; o fato é que as críticas de Vernant deixam escapar o que os autores criticados trazem de mais interessante, que nem sempre é o eixo geral de seus posicionamentos. Percebi isto lendo o livro de Cassirer mencionado abaixo, onde também podemos acompanhar uma história desses estudos… bem menos rica na quantidade e variedade dos autores tratados, é verdade, mas por outro lado capaz de captar com extrema inteligência pontos interessantes (muito) e aproveitáveis desses autores, mesmo quando os critica.

 

Por outro lado, estou dizendo isto com base apenas na parte final do livro. Preciso verificar se esla não está apenas fazendo um apanhado final e um balanço geral de autores já tratados com mais detalhe no decorrer do livro, porque se for este o caso, minha crítica aqui estará evidentemente invalidada.

 

Avancei para a leitura desse livro de Cassirer (o abaixo mencionado) justamente porque, nesta parte final do livro de Vernant, há uma menção fortemente elogiosa ao mesmo Cassirer, embora crítica, sem que no entanto o seu pensamento seja realmente exposto e examinado. Não há quase nada sobre isso em Vernant para justificar a avaliação que ele faz de Cassirer. Ademais, já sabia que Cassirer é uma das fontes do Flusser, filósofo através do qual entrei para os estudos filosóficos e que (ainda mais que Castoriadis) está na base de minha própria formação filosófica.

 

LEITURA AINDA INCOMPLETA.